Mestre em Visagismo

 

Saiba mais sobre o queridíssimo Philip Hallawell, artista plástico e mestre em Visagismo 

 

Por Marisa De Lucia

 

Educado na Inglaterra e nos Estados Unidos, o artista plástico e mestre em Visagismo, Philip Hallawell, sempre teve como temática central, na sua arte, o ser humano e a busca de equilibrar sua vida íntima, seu “eu”, com sua vida exterior, ou seja, criar um encontro entre o interior e o exterior.

 

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Há 40 anos pesquisando a linguagem visual, o trabalho de Visagismo que criou foi fruto de diversas associações de teorias nas áreas de psicologia, neurobiologia, antropologia e sociologia com os princípios da linguagem visual. Hoje é também arte-educador, escritor, palestrante, apresentador de televisão e criador de multimídia.

 

Autor dos livros Visagismo: harmonia e estética, Visagismo Integrado: identidade, estilo e beleza, Editora Senac SP; À mão livre 1: a linguagem do desenho e À mão livre 2: técnicas de desenho, criou e apresentou as séries À mão livre: a linguagem do desenho e Oficina de Desenho, no programa Revistinha, ambos na TV Cultura. Como artista plástico, participou de mais de 40 exposições individuais e coletivas e foi contratado, com exclusividade, pela Galeria André, de São Paulo, de 1976 a 1979. Lecionou no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo de 1983 até 1989 e desde então, mantém seu próprio ateliê, onde ministra cursos e diversos workshops.

 

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Acompanhe esta entrevista que ele deu exclusivamente para nosso site, na qual fala sobre sua trajetória, o processo de criação de uma imagem e das características principais para ser um bom visagista.

 

Marisa De Lucia – Como a sua carreira de artista plástico te influenciou para ingressar no trabalho de Visagismo?

Philip Hallawell – Meu tema principal como artista é a busca do homem em equilibrar seu mundo interior com o mundo exterior e isso me levou a considerar a sua identidade exterior, sua imagem, com seu senso de identidade e a necessidade de ter um encontro entre os dois no espelho. Esse é o princípio em que construí todo o trabalho e o método.

Além disso, pesquiso a linguagem visual há 40 anos e, em 1994 criei e apresentei uma série chamada “À Mão Livre – A linguagem do Desenho” para a TV Cultura. Por causa desse trabalho e meu domínio do desenho das formas, feições e proporções da face e do corpo humano, em 2001 o Centro de Tecnologia de Beleza do SENAC SP me convidou para criar o conteúdo do curso profissionalizante, que estava chamando de Visagismo. Esse trabalho virou um livro e resultou num projeto que está tendo enorme influência em todas as áreas relacionadas à criação da imagem pessoal.

 

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MDL – Como é o processo de criação de uma imagem?

Philip Hallawell – O processo de criação de uma imagem segue os mesmos passos empregados para criar qualquer outra coisa: concepção, materialização, interpretação e reinterpretação. A fase da concepção envolve observação e reflexão. Sem ela não existe criação, por isso Leonardo da Vinci disse que “a arte é coisa mental”.

A fase seguinte se trata de transformar a ideia abstrata numa imagem concreta, o que só é possível se dominarmos a linguagem visual. Depender da intuição não é o suficiente e vai sempre resultar no uso de referências, ou seja, numa reinterpretação daquilo que já existe. A fase da interpretação depende do domínio das técnicas do meio em que se trabalha, pois é nesta fase que efetivamente se cria o produto: o quadro, a imagem pessoal, a vestimenta ou a joia, por exemplo. Finalmente, é necessário trabalhar em cima dos feedbacks para reciclar todo o processo.

 

MDL – Quais as características principais para ser um bom visagista?

Philip Hallawell – Em primeiro lugar é preciso gostar de pessoas! Isso vai levar ao desenvolvimento da sensibilidade pelas pessoas e a vontade de descobrir o que cada um deseja expressar através de sua imagem. Também é necessário ter certa inteligência visual e dominar a linguagem visual. O visagista nem sempre executa o trabalho final, então o domínio de técnicas não é imprescindível, mas é bom conhecer as técnicas de diversas áreas.

 

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MDL – A técnica do Visagismo pode influenciar na vida de uma pessoa? Pode interferir na sua carreira profissional, por exemplo?

Philip Hallawell – Na verdade, sempre que se interfere na imagem de uma pessoa, sua identidade visual está sendo afetada e isso gera mudanças em comportamentos, atitudes, autoestima e possivelmente na personalidade. Também pode resultar em conflitos sérios entre o senso de identidade e as emoções geradas por sua imagem. Uma imagem é essencialmente um conjunto de linhas, formas e cores, que são símbolos arquetípicos, um termo criado por Carl Jung, o grande psicólogo e antropólogo, que significa símbolos compreendidos por todas as pessoas de igual maneira, com o mesmo significado.

São os elementos na imagem que expressam o seu significado, que é diferente do que a imagem está representando. Por exemplo, a imagem pode representar uma mulher, mas as linhas, formas e cores dizem se ela é extrovertida ou introvertida, forte ou suave, dinâmica ou retraída e, em última análise, atraente ou não. Tudo isso assimilamos emocionalmente, não racionalmente. E é por isso que afeta as emoções da própria pessoa, seu senso de identidade, seu comportamento e seu estado emocional e psicológico. Evidentemente vai afetar sua vida! Mas também afeta os outros emocionalmente e como estes reagem à pessoa e sempre haverá consequências nas relações, tanto pessoais, como profissionais, e, consequentemente, na sua carreira e no rumo de sua vida.

 

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MDL – Qual a diferença entre o que o visagista faz e o que normalmente é feito?

Philip Hallawell – A diferença entre o que o visagista faz e o que é normalmente feito é que o visagista sabe o que está fazendo e está consciente de que está trabalhando com aquilo que é mais precioso para um ser humano: seu senso de identidade. Ele sabe como a imagem vai afetar seu cliente e trabalha com conhecimentos científicos e desenvolve a imagem somente depois de ter conduzido uma consultoria e estabelecido o que o cliente deseja expressar e que esteja ciente das necessidades profissionais e pessoais dele. Ele nunca projeta suas preferências no cliente. Os profissionais de beleza, na sua grande maioria, trabalham somente com a intuição e pensam como uns artesões, que somente precisam executar bem o trabalho com fins exclusivamente estéticos.

 

MDL – Para um profissional poder exercer a técnica de Visagismo, qual curso ele deve ter?

Philip Hallawell – O Visagismo é mais do que uma técnica – é uma arte. Por isso o profissional precisa ser formado em Visagismo e não apenas profissionalizado. Quando se fala em Visagismo, é preciso distinguir entre o conceito e o método que eu desenvolvi e o que é feito fora do Brasil. São duas coisas bem distintas. No exterior não há cursos que ensinam a linguagem visual, nem o significado dos símbolos arquetípicos e como usar tudo isso para analisar a imagem e a face do cliente e, consequentemente, o temperamento dele. Como não ensinam isso, também não ensinam como transformar uma ideia abstrata numa imagem concreta e como usar a técnica para fazer isso.

 

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MDL – Após o curso que você oferece, o profissional já pode exercer o Visagismo?

Philip Hallawell – Evidentemente, os cursos que ofereço habilitam o profissional a começar a exercer o Visagismo Philip Hallawell no dia seguinte ao curso. O domínio total do processo virá com a prática, como acontece no desenvolvimento de qualquer outra arte. As melhores Universidades que oferecem o curso superior de Visagismo estão rumando no mesmo caminho e, aos poucos, estão compondo seus quadros de docentes com profissionais competentes que passaram pelo meu curso.

 

MDL – Além da beleza, em quais outras áreas o Visagismo pode interferir?

Philip Hallawell – O Visagismo pode ser aplicado em todas as áreas que envolvem interações humanas – ou seja, em quase tudo! É de muita importância nas áreas de psicologia, RH e gerenciamento de equipes. Pode ser utilizado para definir a “cara” de uma empresa, trabalhando a imagem dos funcionários para que obtenham equilíbrio e harmonia emocional, psicológica e visual, o que afeta positivamente a produtividade e a criatividade e minimiza acidentes de trabalho. Pode ser também utilizado no desenvolvimento de espaços físicos por arquitetos e designers de interiores. Nas artes, especialmente no teatro, é importante no casting e na caracterização.

 

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MDL – Quais ensinamentos você passa através dos seus livros, cursos e workshops?

Philip Hallawell – Tudo isso de que falei acima (e mais!). Basicamente, ensino a linguagem visual, o princípio de tudo, conceitos de psicologia e antropologia, o desenho do rosto e o processo criativo. Nos trabalhos de artes plásticas entro na parte técnica e os processos de observação. Nos cursos é onde posso passar todas as informações e personalizar isso. Nos workshops e palestras abordo temas específicos. E os livros contêm todas as informações referentes ao tema, porém, não podem ser comparados a um curso: o professor qualifica e explica de forma personalizada as informações.



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